No dia em que escreveu tal carta, Cristina se deu conta do quão importante era aquele amor platônico.
Embora se encontrassem esporadicamente, nunca tiveram sequer uma noite juntos.
Ouviu de Alfredo que se ficassem livres, não ficariam juntos.
Não entendeu. Sofreu.
Tá. Peraí! Eu te amo, vc me ama e se pudéssemos, não tentaríamos. É isso?
Sim, é isso!
Conclusão:
Sua trouxa! Ele nunca te amou e vc é mais uma cretina esperando neguinho te assumir [como vc faz desde que se conhece como gente]
O mundo cai.
O sonho de ser mãe vai pro ralo porque ela tá ficando velha e o "possível" pai um filho seu não a quer.
Paralelamente, seu noivado é desfeito [pela própria] pra evitar mais sofrimento.
Já se passaram mais de quatro anos...
Cristina não consegue ficar um dia sequer sem falar com Alfredo.
Se ela não puxar assunto, pode ser que Alfredo NUNCA fale com ela...
No fundo, ela sabe que isso não é verdade.
O fato de lidar bem com palavras e escancarar sentimentos não fazem dela um modelo. Só ressalta as diferenças...
Alfredo a conhece como ninguém... faz gestos que dizem muito mais do que "eu te gosto", mas ela é intensa. Preferia qdo as coisas eram mais fantasiosas e românticas... Preferia o Florentino Ariza ao macho alpha.
Acontece que uma parada mudou nesses quase cinco anos.
Em primeiro lugar, a dúvida: Alfredo ama Cristina ou o quê?
Depois: Cristina vai passar a vida esperando por um amor romanceado e que, provavelmente, com a convivência se mostraria inviável?
O que fazer?
Bem, Cristina resolveu chutar o balde e dizer que Alfredo não entendia nada, era um cuzão e que ela estava apaixonada há anos...
Resultado:
Treta, mágoas e reflexões inúteis.
Por quê?
Porque ela não pode resolver a vida dos outros e porque, talvez, sua vida seja essa confusão mesmo.
continua....