dd Alfredo Ariza e Cristina Daza: reclamei baixinho

segunda-feira, 28 de março de 2011

reclamei baixinho

último post oficial feito em janeiro de 2010.
segundo entendedores do babado escrito, o melhor de todos.
do fundo da alma.
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cristina chorou um pouco esta manhã.
pensava em alfredo e que perdera o que nunca tiveram.

escreveu algumas páginas, mas a carta demorava a sair.
as palavras travaram, enquanto as lágrimas lavavam.

o aperto no peito a afastava das músicas do francisco [o de hollanda].
colocou um disco e procurou as palavras que imitavam florentino e sua fermina.

a caixa com toda a correspondência não existia mais.
chorou mais um pouco enquanto escafandristas exploravam sua casa e sua alma...

em silêncio, num fundo de armário, na posta-restante.
milênios, milênios no ar.

pediu o eco de antigas palavras ou vestígios de estranha civilização, até que francisco disse:
vamos viver agonizando uma paixão vadia
maravilhosa e tranbordante como uma hemorragia

alfredo a cristina cederam à tentação de suas bocas cruas e nuas.
esperaram o carnaval chegar e bateram palmas feito turistas.

avistaram o paradeiro de seus desejos.
perderam o juízo dentro e fora de um vício.
passearam perto do precipício sem pára-raio para o desmaio.

cristina e alfredo não dormiram juntos uma noite sequer.
já casada, lembrou que nunca brincaram com a filha que não tiveram.

ela simplesmente seguiu viagem sem perpetuar em tua escrava.

só porque precisou um dia olhar bem nos olhos dele com o olhar cheio de adeus.
só porque passou a vida jurando que não acreditava, estranhava e duvidava.

deixou em paz seu coração, que já era um pote até ali de mágoa.

desligou a vitrola e foi dormir.
vivera a vida real, sem o tal amor do antonio carlos [o brasileiro]

foi feliz porque sabia que futuros amantes [quiçá, um dia] viveriam o amor que deixara
o amor de cristina e alfredo.

aquele que nunca foi e nunca acabou.
se amam ainda. se amaram sempre.

cristina
e
alfredo

alfredo
e
cristina

te adorando pelo avesso